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Diário de um intercambista: Lembranças de um estudante-atleta



Lembro perfeitamente do dia que eu aprendi na prática sobre as diferenças culturais entre países. Era minha primeira semana na Chestnut Hill College em Philly. Fazia parte do time de soccer da universidade e estávamos em pré-temporada, eram 3 treinos por dia e com uma intensidade altíssima, uma verdadeira rotina de jogador profissional. Até esse ponto, nenhuma surpresa, antes de embarcar para os Estados unidos, me preparei quase dois anos no Brasil fisicamente e li muito sobre como funcionava os testes fisicos e a rotina de treinos dos student-athletes nos EUA. Entretanto, uma coisa eu ainda não tinha dado a devida importância: A pontualidade.

Após o primeiro treino da manhã, fui almoçar em casa (morava fora do campus) juntamente com meus dois roomates Pedro e Diogo. As dores no corpo ja eram constantes, o cansaço também. O coach do time solicitou que todos chegassem mais cedo ao treino da tarde para que pudessemos ajudar os novos estudantes da universidade com as mudanças para os dormitórios do campus. É interessante que as universidades americanas seguem uma lógica de serem autosustentaveis, ou seja, os próprios alunos trabalham na faculdade e ajudam com muitas tarefas em pró da comunidade estudantil como um todo.

Porém, eu com minha mentalidade ainda bastante defasada, achava que isso não era algo tão importante e sugeri aos meus amigos que chegassemos um pouco mais tarde para conseguir descansar um pouco mais até o treino. Ao chegar na faculdade, lembro do meu coach vindo na minha direção e me mostrando o relógio dele, falou algo que eu não pude entender devido ao baixo nivel do meu inglês no inicio do intercâmbio. Após 40min ajudando os novos estudantes carregando caixas e mais caixas até os quartos do dormitórios, finalmente fomos treinar. Nesse dia, fizemos o famoso e temido "beep test" , um teste fisico de resistência que todos atletas precisam acompanhar o ritmo do som enquanto correm no campo, bastante demorado e desgastante. Quando o treino chegou ao fim, estava o time inteiro exausto. E foi exatamente nessa hora que veio as primeiras lições de viver em uma outra cultura.


Nos EUA, a pontualidade é levada muito a sério, compromissos precisam ser respeitados, não existe isso de "migué" ou de chegar alguns minutos atrasados. É visto como uma atitude desrespeitosa. Quando estava tirando minhas chuteiras, o coach gritou meu nome, Pedro e do Diogo, além de chamar também o capitão do time para que servisse de exemplo para todos os jogadores. O coach exigiu que déssemos mais seis voltas no campo correndo. Tivemos que atravessar aquele campo sem parar, indo e voltando. Na quarta volta simplesmente não tinha mais força na perna, desmontei no chão e fui acolhido pelo fisioterapeuta do time. O coach encerrou a "lição" , ja estava satisfeito e tinha passado o recado. Nunca mais cheguei atrasado nos eventos do time, e levei isso como um grande aprendizado para vida.



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